Em duas frases: o Voe 135 é a plataforma digital da ANAC que substitui o processo antigo de certificação de táxi aéreo, com muito papel e visita presencial, por uma jornada eletrônica integrada com checklists, validações automáticas e inteligência artificial. A exigência regulatória não diminui, mas o tempo e a fricção sim.
O que é o Voe 135
É o sistema digital lançado pela ANAC para gerenciar o processo de certificação de operadores de táxi aéreo (RBAC 135). Cobre desde a abertura do processo até a aprovação final, incluindo as etapas intermediárias (apresentação de manuais, demonstração de operações, aprovação de especificações operativas).
É também usado para movimentações posteriores: recertificações, inclusão de aeronaves, alteração de bases, ampliação do escopo operacional, mudança de categoria.
Por que a ANAC mudou
O processo anterior tinha gargalos conhecidos:
- Excesso de papel e visitas presenciais, consumindo tempo de servidor e de empresa.
- Pendências descobertas tarde, em reuniões de orientação prévia, quando já se tinha gastado tempo na produção do material.
- Falta de visibilidade do andamento, a empresa não enxergava status, dependia de retorno por e-mail.
- Padronização inconsistente, mesma exigência podia ser interpretada de forma diferente entre regionais.
O Voe 135 ataca todos esses pontos com um único front-end digital padronizado, validações automatizadas no momento da submissão, painel de acompanhamento em tempo real e análise preliminar de IA que aponta pendências antes da análise humana.
O que muda na prática
Para quem está em certificação
- Cadastro da empresa, frota, tripulação e processos dentro da plataforma.
- Upload de manuais (geral de operações, manutenção, SGSO) com validação de campos obrigatórios.
- Checklist visual que mostra o que está pronto, em análise ou pendente.
- Pendências apontadas pela IA antes da reunião com o técnico, reduzindo retrabalho.
- Tempo total de certificação significativamente menor.
Para empresas já certificadas
- Recertificações e mudanças (incluir aeronave, base, alterar tipo de operação) passam pelo mesmo sistema.
- Versionamento dos manuais com histórico auditável.
- Acesso a documentos e situações regulatórias a qualquer momento.
Para a ANAC
- Padronização do processo entre regionais.
- Cruzamento de dados com outras bases (escala de tripulação, manutenção, ocorrências SGSO).
- Estatísticas em tempo real sobre o parque operacional brasileiro.
A categoria Operador Simples
Em paralelo ao lançamento do Voe 135, a ANAC introduziu (vigência janeiro de 2026) uma categorização do RBAC 135. A categoria mais inovadora é a Operador Simples: empresas de menor porte e complexidade reduzida, com exigências regulatórias proporcionais (manuais menos extensos, estrutura organizacional mais enxuta).
O que continua igual: aeronavegabilidade da frota, habilitação da tripulação, princípios de segurança operacional, obrigatoriedade do registro de voos e a responsabilidade jurídica do operador. O que muda: a forma, não a substância.
Como se preparar antes de entrar no Voe 135
A plataforma facilita o processo, mas não substitui o trabalho de organizar a casa. Antes de iniciar:
- Centralize a documentação atual, manuais, certificados, contratos, especificações operativas.
- Mapeie a tripulação com habilitações, certificado médico e treinamentos.
- Cadastre a frota com matrículas, status de aeronavegabilidade, manuais.
- Estabeleça o SGSO, ao menos a estrutura básica (política de segurança, RELPREV, comitê). Veja como começar pequeno.
- Defina os processos operacionais, despacho, escala, emergências, manutenção.
- Tenha um sistema de gestão rodando. A rastreabilidade exigida no Voe 135 e na operação subsequente não cabe em planilha.
Armadilhas comuns
- Subestimar o prazo. Mesmo com o Voe 135, certificação leva meses. Comece cedo.
- Pular o SGSO. É o item que mais reprova. Não dá para fazer “no último mês”.
- Manuais genéricos baixados da internet. A ANAC reconhece à distância. Cada empresa precisa de manuais com a realidade dela.
- Esquecer a operação real. O objetivo é operar com segurança, não tirar selo. Foco só na papelada vira problema lá na frente.
Perguntas frequentes
O que é o Voe 135?+
É a plataforma digital da ANAC para gerenciamento do processo de certificação de operadores de táxi aéreo (RBAC 135). Substitui o processo anterior, baseado em papel e visitas presenciais, por uma jornada eletrônica com checklists, validações automáticas e análise preliminar com inteligência artificial.
Quem precisa usar o Voe 135?+
Toda empresa que queira se certificar como operador de táxi aéreo no Brasil (ETA, Empresa de Táxi Aéreo). Também é usado para recertificações, alteração de especificações operativas, inclusão de aeronaves ou bases, e migração entre categorias do RBAC 135.
O Voe 135 reduz a exigência regulatória?+
Não. A exigência regulatória continua a mesma (manuais, SGSO, tripulação habilitada, aeronavegabilidade, processos definidos). O que muda é a fricção do processo: menos visitas presenciais, validações automáticas que antecipam pendências, painel visual de acompanhamento e tempo total de certificação reduzido.
O que é a categoria Operador Simples?+
É uma nova categoria dentro do RBAC 135, com vigência a partir de janeiro de 2026, para empresas de menor porte. Exigências regulatórias proporcionais (manuais menos extensos, estrutura organizacional reduzida) sem abrir mão de segurança, aeronavegabilidade e habilitação de tripulação.
Quanto tempo leva para certificar uma empresa pelo Voe 135?+
Varia conforme a complexidade da operação e a maturidade dos documentos apresentados. A ANAC estima redução significativa em relação ao processo anterior. Empresas que chegam organizadas no Voe 135 conseguem ciclos mais curtos; quem não tem casa em ordem leva mais tempo, mesmo com a plataforma facilitando.
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